A mais recente pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisas, o Igape, colocou as mulheres no centro da eleição do Distrito Federal. Celina Leão lidera a disputa pelo Governo, enquanto Michelle Bolsonaro aparece à frente nos dois cenários de voto para o Senado. Leila do Vôlei, Erika Kokay e Bia Kicis também estão entre os nomes mais lembrados pelos eleitores.
Na corrida pelo Palácio do Buriti, Celina tem 33,4% das intenções de voto no cenário estimulado. José Roberto Arruda aparece com 23,7% e Leandro Grass tem 9,4%. A governadora abre, assim, uma vantagem de 9,7 pontos percentuais sobre o segundo colocado e entra na campanha ocupando uma posição que qualquer adversário gostaria de ter.

O número mostra a força política de Celina. Seu nome está consolidado entre os eleitores e chega à campanha com vantagem suficiente para conduzir o debate, defender seu trabalho e apresentar o que pretende fazer em um novo mandato. A eleição continua aberta, mas começa com a governadora na frente e com os adversários obrigados a buscar espaço.
No Senado, a presença feminina é ainda mais evidente. Michelle Bolsonaro lidera a intenção de primeiro voto com 22,5%. Leila do Vôlei aparece com 10,5%, Erika Kokay com 10,1% e Bia Kicis com 8,8%. As quatro primeiras posições são ocupadas por mulheres, mesmo sendo candidatas de partidos e correntes políticas diferentes.

Michelle também lidera a intenção de segundo voto, com 11,5%. Bia Kicis vem depois, com 8,6%, e Leila do Vôlei registra 6,7%. Erika Kokay tem 2,1%. Os números não permitem dizer quem ficará com as duas vagas, mas deixam claro que as mulheres entraram na campanha com força para decidir a composição da bancada do Distrito Federal no Senado.
Michelle é hoje o nome mais forte da disputa pelo Senado. Liderar as duas escolhas apresentadas aos entrevistados dá a dimensão do peso que ela adquiriu na eleição do Distrito Federal. Nenhuma candidatura poderá definir sua estratégia sem considerar sua vantagem e a atenção que ela concentra desde o início da campanha.
Os números produzem uma fotografia rara na política da capital. Celina lidera a corrida pelo Governo e Michelle ocupa a primeira posição para o Senado. Ao lado de Leila, Erika e Bia, elas mostram que as mulheres não estão participando da eleição apenas para completar chapas ou preencher espaço partidário. Estão disputando o poder político de forma direta.
Esse quadro tem importância mesmo para quem não vota nas candidatas citadas. Durante muito tempo, a política tratou as mulheres como eleitoras importantes, mas reservou aos homens a maior parte dos postos de comando. A pesquisa mostra um cenário diferente. O eleitor do Distrito Federal observa mulheres de campos opostos e considera entregar a elas o Governo e as duas cadeiras do Senado que serão renovadas neste ano.
O levantamento também chama atenção pela forma como foi registrado e apresentado. O Igape ouviu pessoalmente dois mil eleitores em seus domicílios entre 10 e 15 de agosto. A pesquisa utiliza cotas de sexo, idade, escolaridade e renda, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O instituto informa ainda que 20% dos questionários passam por conferência mediante novo contato com os entrevistados.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF 02390/2026. O registro não significa que o Tribunal certificou os resultados, mas permite conhecer quem realizou o levantamento, quando as entrevistas foram feitas, qual foi o tamanho da amostra e quais procedimentos foram adotados. É essa possibilidade de conferir o caminho percorrido que dá seriedade à divulgação dos números.
Ainda há muito voto em aberto. Para o Governo, 19,4% não souberam ou não quiseram responder. No primeiro voto para o Senado, esse número chega a 34,8%. No segundo, alcança 57,6%. A quantidade de indecisos recomenda cautela e impede qualquer anúncio antecipado de vitória, principalmente na disputa pelas duas vagas de senador.
Nada disso apaga o que a pesquisa já revela. Celina começa a campanha liderando o Governo. Michelle aparece como o nome mais forte para o Senado. Leila, Erika e Bia mantêm as mulheres nas primeiras posições. Pela fotografia atual, serão elas que darão o tom de boa parte da eleição no Distrito Federal.
Daqui em diante, pesquisa não substitui campanha. Celina terá de defender seu governo e explicar o que pretende fazer em um novo mandato. Michelle, Leila, Erika e Bia precisarão mostrar por que merecem representar o Distrito Federal no Senado. A presença feminina já está assegurada no debate. Agora o eleitor vai querer conhecer as propostas e saber o que cada candidata pretende fazer com a confiança que começa a receber.
Por enquanto, a maior novidade não está apenas na vantagem de Celina nem na liderança de Michelle. Está no fato de que a eleição do Distrito Federal será conduzida, em grande parte, por mulheres com força própria, votos e condições reais de vencer. Para uma política que durante tanto tempo lhes reservou o papel de apoio, a mudança já começou.

