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“Se sabe que é pobre, pra que engravidar?”: comentário de enfermeira de Anápolis em vídeo sobre criança internada gera revolta

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No afã de defender políticos, um comentário cruel, preconceituoso e incompatível com a ética profissional colocou uma enfermeira de Anápolis no centro de uma forte polêmica nas redes sociais. A declaração foi feita em resposta a um vídeo que denunciava mau atendimento a uma criança internada no Hospital Estadual do Entorno, situação que já havia causado comoção pública.

No comentário, a profissional afirma: “O povo é pobre, não tem condições nenhuma de ter filhos, mas vira o zóio, engravida e depois fica culpando os políticos. Se sabe que é pobre, pra que engravidar?”.

A fala caiu como uma bomba. Em poucas horas, o print do comentário passou a circular intensamente, gerando revolta, indignação e duras críticas, sobretudo pelo fato de partir de alguém que atua na linha de frente da saúde pública. Horas depois, diante da forte repercussão negativa, a enfermeira apagou o comentário, numa tentativa de conter os danos.

O tom do comentário foi considerado desumano, elitista e perverso, além de revelar um abismo ético preocupante para quem exerce uma profissão baseada justamente no cuidado, na empatia e no acolhimento. Para muitos internautas, a declaração escancara uma mentalidade que culpabiliza as vítimas da desigualdade social e ignora completamente a realidade brutal vivida por milhões de brasileiros.

A tentativa de transferir à população pobre a responsabilidade pelo colapso do sistema de saúde foi duramente rechaçada. Especialistas e usuários lembraram que falta acesso à educação sexual, métodos contraceptivos, planejamento familiar, assistência social e políticas públicas eficazes, além de condições mínimas de dignidade.

“O problema não é o pobre ter filhos. O problema é o Estado abandonar essas famílias. Culpar quem sofre é covardia”, escreveu um internauta.

O episódio ganha contornos ainda mais graves por ocorrer em meio a uma denúncia sensível: a de uma criança internada em situação crítica, supostamente vítima de negligência e abandono dentro de uma unidade hospitalar pública. Em vez de solidariedade, a resposta veio em forma de julgamento moral, preconceito e desprezo social.

Print do comentário – que foi apagado posteriormente

A repercussão negativa cresce e aumenta a pressão para que o caso seja apurado pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e pela Secretaria de Saúde, uma vez que o comentário pode configurar violação grave do código de ética da categoria.

O caso não expõe apenas a postura individual de uma profissional, mas escancara uma ferida estrutural do sistema de saúde: a desumanização do atendimento e a naturalização da desigualdade. Quando quem deveria cuidar escolhe apontar o dedo, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser moral.

A profissional exibe em sua rede social diversas especializações

Enquanto isso, permanece a principal questão: como está a criança? E, sobretudo, quantos outros pacientes seguem sendo atendidos sob a mesma lógica fria e excludente?

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