O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), considerado um dos principais aliados políticos de Daniel Vilela (MDB), que se prepara para disputar a reeleição ao governo de Goiás, passou a ser apontado nos bastidores como um dos responsáveis pelo racha interno no Partido Liberal em Goiás. Segundo relatos que circulam no meio político, Corrêa teria sido um dos articuladores da divisão dentro do partido e também um dos organizadores, havendo inclusive quem diga que participou do financiamento, do evento realizado no último sábado pelo deputado federal e pré-candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL).
O encontro, que teria como objetivo demonstrar força política de Gayer e sinalizar enfraquecimento do nome do senador Wilder Morais (PL), acabou produzindo efeito inverso ao esperado. Isso porque, sobretudo no domingo, o cenário político sofreu uma reviravolta após uma publicação feita por Gustavo Gayer em suas redes sociais, na qual declarou apoio à chapa do Partido Liberal em Goiás, justamente a que traz o nome de Wilder Morais como pré-candidato ao governo do estado. Até então, Gayer vinha evitando declarar apoio público a Wilder, movimento que, segundo interlocutores políticos, era atribuído à influência de lideranças próximas ao prefeito Márcio Corrêa e a outros aliados interessados em aproximar o deputado do projeto político liderado por Daniel Vilela, MDB.
O evento do sábado, que inicialmente foi pensado como uma demonstração de força e articulação política, acabou gerando desgaste nas redes sociais e entre apoiadores do próprio partido. A ausência de Wilder Morais foi amplamente comentada e passou a ser alvo de questionamentos públicos, assim como a ausência do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerado um dos principais apoiadores da pré-candidatura de Wilder ao governo de Goiás. A leitura que ganhou força nos bastidores é de que a ausência de Flávio Bolsonaro foi estratégica, evitando legitimar um movimento que poderia ser interpretado como tentativa de enfraquecimento interno dentro do próprio partido.
Diante desse cenário, a declaração pública de apoio feita por Gustavo Gayer à chapa oficial do PL foi interpretada como um duro golpe político para o grupo que vinha estimulando um posicionamento diferente, especialmente para o prefeito Márcio Corrêa. O episódio acabou reforçando a percepção de que a estratégia adotada para demonstrar força política terminou produzindo efeito contrário, aumentando a pressão interna e expondo divisões que agora tendem a se reorganizar em torno do nome de Wilder Morais na disputa pelo governo de Goiás.



