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Panorama Eleitoral em Goiás, o segundo turno como campo minado para Wilder

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Muitos consideram que Wilder Morais (PL) já esteja virtualmente garantido na etapa final da disputa, mas o desenho real da eleição mostra que o problema não está em chegar ao segundo turno, e sim em como vencê-lo.

Cenário 1: PL x Marconi Perillo, um duelo desfavorável

Em uma eventual disputa entre Wilder e Marconi Perillo (PSDB), o cenário se torna delicado para o PL. A classe média urbana, formada majoritariamente por eleitores de centro-esquerda e esquerda moderada, não vota na direita em hipótese alguma. Esse eleitorado tende a migrar quase integralmente para Marconi, não por afinidade ideológica plena, mas por rejeição estrutural ao bolsonarismo e à direita mais assertiva.

Esse movimento cria um efeito perigoso, Wilder perde densidade eleitoral justamente onde Marconi é mais forte, nos grandes centros, no eleitorado escolarizado e nos segmentos formadores de opinião. Em termos práticos, esse segundo turno favorece claramente o tucano.

Cenário 2: PL x Daniel Vilela, disputa mais aberta, porém traiçoeira

Já em um embate contra Daniel Vilela (MDB), o jogo muda. Parte da classe média, sobretudo aquela de centro e centro-esquerda, tende a se concentrar no emedebista, visto como mais palatável institucionalmente. Ainda assim, há espaço para migração de votos para Wilder, especialmente entre eleitores avessos ao lulismo e ao histórico político tradicional do MDB goiano.

Nesse cenário, a disputa se mostra mais equilibrada, embora não isenta de riscos. O MDB carrega nacionalmente a aliança com Lula, o que cria uma contradição local relevante e pode afastar parte do eleitorado que rejeita frontalmente o PT.

O erro que Wilder não pode repetir, a lição de Fred Rodrigues

A grande jogada estratégica de Wilder passa por não repetir o roteiro de Fred Rodrigues em Goiânia, em 2024. Fred venceu a narrativa do primeiro turno, mas não conseguiu ampliar seu eleitorado no segundo, exatamente por não conseguir se apresentar como opção viável além da bolha bolsonarista.

Wilder precisará martelar uma ideia simples, porém decisiva, “receber apoio é diferente de apoiar.” Essa distinção será vital para ampliar sua base no segundo turno sem desfigurar seu discurso original.

Nesse contexto, a presença de Ana Paula Craveiro na chapa majoritária é uma jogada-chave. Ela funciona como porta de entrada para o eleitor conservador moderado, para o centro e até para setores da centro-esquerda avessos ao radicalismo, permitindo que Wilder dialogue com públicos fora da “direita raiz” sem romper com ela.

O paradoxo estratégico do PL

Wilder apostou alto ao insistir na candidatura própria do PL ao governo, abrindo mão de apoiar Daniel Vilela, candidato da base de Caiado, e mantendo distância de Marconi Perillo, símbolo histórico do tucanato goiano e adversário tradicional do lulismo.

Essa estratégia constrói coerência ideológica, mas impõe um dilema no segundo turno, como receber o apoio dos eleitores de MDB e PSDB sem parecer incoerente?

Vencer não será questão de força, mas de engenharia política.

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