Márcio Corrêa prometeu saúde. Prometeu prioridade. Prometeu reforma de UPA, dignidade aos profissionais, fim do caos. Prometeu tanto que, se promessa curasse alguém, Anápolis hoje seria referência nacional. Mas a realidade, como sempre, não lê roteiro de campanha. Ela aparece no contracheque vazio, na fila de cirurgia que não anda e no corredor lotado de quem espera atendimento.
Enquanto médicos, enfermeiros e técnicos da saúde passaram o Natal contando moedas, o prefeito passou o ano contando índices. Não o índice de satisfação da população, mas o Capag. A obsessão da gestão não foi salvar vidas, foi salvar números. Ajusta aqui, segura ali, atrasa acolá e pronto: Capag C vira Capag B. Missão cumprida. A saúde que espere. O servidor que aguente. O paciente que sofra.
Márcio Corrêa transformou o Natal dos trabalhadores da saúde em um exercício de resistência. Não foi ceia, foi aperto. Não foi confraternização, foi preocupação. Mas tudo isso, claro, em nome do “futuro da cidade”. Um futuro financiado por empréstimo, aprovado às pressas na Câmara, enquanto o presente apodrece nos postos de saúde. Afinal, segundo a lógica da gestão, gente pode esperar. Banco não.
A reforma na UPA, prometida antes mesmo da posse, virou lenda urbana. Todo mundo ouviu falar, ninguém viu. A obra não saiu, a reforma não veio e o discurso ficou velho. Enquanto isso, pacientes aguardam meses, às vezes anos, por cirurgias. A fila cresce, o sofrimento aumenta e a propaganda oficial segue impecável, colorida e vazia.
Do lado de fora das unidades de saúde, a cidade ajuda a contar essa história. Buracos nas ruas, bairros escuros, mato alto, abandono visível. Mas nas redes sociais da prefeitura, tudo vai muito bem, obrigado. Anápolis virou cenário de marketing: bonita na foto, caótica ao vivo.
No fim das contas, Márcio Corrêa (PL) governou como quem administra planilha, não cidade. Preferiu ser rigoroso com quem salva vidas e gentil com indicadores fiscais. Foi duro com servidores e generoso com o sistema financeiro. Um verdadeiro Papai Noel ao contrário: tirou de quem trabalha para entregar aos números.



