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Fictor, que tentou comprar o Banco Master, mantinha “sede” de fachada em Rio Verde

Fictor pediu recuperação judicial após tentar comprar o Banco Master e mantinha sede registrada em Rio Verde (GO) que funcionava apenas como fachada em prédio comercial
Imagem: Divulgação - Fictor pediu recuperação judicial após tentar comprar o Banco Master e mantinha sede registrada em Rio Verde (GO) que funcionava apenas como fachada em prédio comercial

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O Grupo Fictor, que ganhou notoriedade nacional ao anunciar a compra do Banco Master em uma operação estimada em R$ 3 bilhões, entrou com pedido de recuperação judicial poucos meses depois e passou a ser alvo de questionamentos sobre a real estrutura de suas operações no Brasil. Entre os pontos mais controversos está a existência de uma suposta sede e base operacional em Rio Verde (GO), registrada em um prédio comercial chamado Le Monde, que, na prática, se mostrou sem atividade visível.

A empresa apresentava o endereço em Goiás como parte estratégica da sua expansão no agronegócio e na logística de grãos. No entanto, visitas ao local indicaram um cenário incompatível com o porte do grupo: salas vazias, ausência de identificação da empresa, portas fechadas e nenhum fluxo de funcionários ou operações.

Da promessa bilionária ao colapso financeiro

A Fictor ganhou espaço no noticiário ao divulgar a intenção de adquirir o controle do Banco Master, movimento que colocaria o grupo entre os grandes players do sistema financeiro nacional. A operação, amplamente divulgada, fazia parte de um discurso de crescimento acelerado e consolidação no mercado de crédito.

Pouco tempo depois, o cenário mudou drasticamente. O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, e investigações envolvendo a instituição ampliaram a crise de confiança em torno da Fictor. Sem conseguir sustentar sua estrutura financeira, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial, declarando dificuldades para honrar compromissos com credores e investidores.

A “base” em Rio Verde que não existia na prática

Um dos pontos mais sensíveis do caso está no endereço registrado pela empresa em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. A Fictor Agro, empresa ligada ao grupo, informava oficialmente que mantinha no município uma base operacional no edifício Le Monde, em uma das regiões comerciais da cidade.

Na prática, o local não apresentava qualquer característica de uma operação empresarial ativa:

  • Não havia logotipo ou identificação da Fictor no prédio;

  • As salas atribuídas à empresa estavam fechadas ou vazias;

  • Funcionários do edifício relataram pouca ou nenhuma movimentação;

  • Pessoas que ocuparam a sala afirmaram que a parceria com a Fictor foi encerrada.

Ou seja, a estrutura que aparecia em documentos oficiais como “sede no Centro-Oeste” se revelou, na prática, uma base meramente formal, sem atividade real.

Sede de fachada e crise de credibilidade

A constatação de que a Fictor mantinha uma sede simbólica em Rio Verde reforçou as suspeitas sobre a forma como o grupo se apresentava ao mercado. Enquanto divulgava operações bilionárias e expansão nacional, parte da sua estrutura física parecia existir apenas no papel.

Para especialistas em governança corporativa, esse tipo de prática levanta sinais de alerta, especialmente em empresas que captam recursos de investidores e prometem retornos elevados. A ausência de uma base real compromete a transparência, dificulta fiscalizações e fragiliza a confiança dos parceiros comerciais.

Investidores no prejuízo e futuro incerto

Com a recuperação judicial, a Fictor passou a enfrentar uma avalanche de reclamações de investidores, muitos deles vinculados por contratos pouco transparentes. Sem garantias claras e com a empresa em crise, o risco de perdas financeiras irreversíveis se tornou concreto.

O caso expõe um contraste marcante: de um lado, anúncios de negócios bilionários; de outro, uma “sede” vazia em um prédio comercial no interior de Goiás. A história da Fictor acabou se tornando um exemplo de como crescimento acelerado, baixa transparência e estruturas de fachada podem resultar em colapsos financeiros de grandes proporções.

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