Desde que Nicolás Maduro assumiu a presidência da Venezuela, o país registrou 10.853 mortes por execuções extrajudiciais, segundo o Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea). Apenas em 2025, 336 pessoas foram assassinadas por policiais e militares ligados ao regime chavista.
Jovens e líderes sociais são os mais afetados pelo regime
O relatório da Provea destaca que a maior parte das vítimas de 2025 tinha entre 18 e 30 anos e residia em bairros populares. Segundo a ONG, 57% das mortes foram cometidas pela Polícia Nacional Bolivariana e pelo Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC).
A coordenadora de Monitoramento da Provea, Lissette González, reforçou que o Ministério Público venezuelano, então comandado por Tarek William Saab, não abriu investigação sobre nenhuma das ocorrências. Além disso, desaparecimentos forçados e sequestros de opositores aumentaram 196% em relação a 2024, somando 160 vítimas no ano passado, algumas mantidas desaparecidas por mais de 100 dias.
Estrutura repressiva segue ativa e restringe direitos humanos
Mais de 130 dirigentes sindicais foram detidos arbitrariamente em 2025, muitos submetidos a desaparecimento forçado. Também foram registradas 659 denúncias de violações à integridade pessoal, incluindo tortura, tratamentos cruéis e ameaças, com 42 vítimas de tortura identificadas.
O coordenador-geral da Provea, Óscar Murillo, afirmou: “Depois de um 2024 marcado pelo apagão democrático, a Venezuela viveu em 2025 praticamente a liquidação do Estado de Direito”. Ele alertou que, mesmo com a saída de Maduro no início de 2026, o aparato repressivo permanece, e as vítimas ainda não têm garantias reais de verdade, justiça e reparação. Murillo reforçou que a estabilização do país depende do desmonte completo dessa estrutura construída ao longo das últimas duas décadas.



