O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), afirmou ao Jornal Popular que o Estado não abrirá mão da exigência de processamento local das terras raras extraídas pela mineradora Serra Verde, em Minaçu, após a negociação que levou a empresa para o controle da norte-americana USA Rare Earth.
Mesmo diante da venda da mineradora, o governador minimizou possíveis impactos e destacou que o principal interesse do governo goiano é garantir que o minério estratégico seja beneficiado dentro de Goiás, gerando valor agregado e fortalecendo a cadeia produtiva local.
Serra Verde e terras raras em Goiás seguem no centro das negociações
Segundo Daniel Vilela, a prioridade do governo é assegurar que o compromisso firmado com os Estados Unidos seja cumprido, especialmente no que trata da industrialização do minério em território goiano.
“O mais importante para nós, que é fruto do termo de cooperação assinado com o governo norte-americano, é o nosso desejo e o compromisso que foi assinado dentro deste documento, de termos agregação de valor e processamento desse minério aqui em Goiás”, declarou.
O governador reforçou que essa condição não será flexibilizada e afirmou que o Estado cobrará a execução do acordo.
Daniel explicou que o processo ainda está em fase inicial e que o memorando assinado representa um compromisso preliminar entre as partes, funcionando como base para futuras definições sobre investimentos e implantação da estrutura industrial.
Segundo ele, embora o processamento local não aconteça de forma imediata, haverá cobrança sobre o cumprimento de um cronograma para que isso aconteça.
As tratativas envolvem a Autoridade de Minerais Críticos do Estado de Goiás (Amic) e também órgãos ligados ao governo dos Estados Unidos.
O memorando de entendimento foi assinado em março, ainda durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), com o Departamento de Estado norte-americano. O objetivo é fortalecer a cooperação na governança do setor de minerais críticos, ampliar investimentos e garantir segurança na cadeia global de suprimentos.
Entre os pontos previstos no documento estão a criação de capacidade de processamento industrial em Goiás, incluindo separação mineral, metalização, fabricação de ligas e produção de ímãs permanentes, além do desenvolvimento de uma cadeia produtiva completa no estado.
O acordo, no entanto, também recebeu questionamentos sobre possível inconstitucionalidade. Na época, Caiado afirmou que o memorando não invadia competências do governo federal.
Além dos Estados Unidos, Goiás também firmou entendimento semelhante com o Japão para ampliar a cooperação no setor mineral estratégico.



