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Três movimentos para Wilder Morais ganhar o governo de Goiás

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Wilder Morais (PL) tem diante de si uma equação política relativamente simples de compreender, mas extremamente delicada de executar. Para transformar viabilidade eleitoral em vitória concreta, ele precisará dominar três movimentos estratégicos fundamentais, que envolvem identidade, discurso e capacidade de herdar votos. Em Goiás, mais do que propostas, vence quem entende a alma do eleitor e a lógica real da política local.

1) Ser Caiado. O mais próximo possível

O primeiro passo é assumir, sem pudores, a imitação política de Ronaldo Caiado (PSD), e assim, sugar a popularidade dele. Não se trata apenas de copiar discursos, mas de incorporar o personagem completo que Caiado construiu ao longo dos anos: a goianidade performática, o “goianismo” elevado a estratégia eleitoral, o homem do campo transformado em símbolo de poder político.

Caiado construiu uma identidade extremamente sólida junto ao eleitor: o chapéu, a botina, a fala típica, o jeito simples de comer, de se apresentar, de se movimentar. Tudo compõe uma imagem cuidadosamente lapidada, que vende Goiás para os próprios goianos com enorme eficiência. Wilder Morais combina com esse figurino. Seu perfil pessoal, sua postura e seu estilo permitem que essa transição aconteça de forma natural, sem artificialismo. Se Wilder encarnar esse personagem, soará crível, legítimo e competitivo.

Daniel Vilela (MDB), o candidato de Caiado, não dispõe da mesma vantagem. Urbano, moderno e tecnocrata, Daniel não se encaixa nesse arquétipo rural e tradicional. Chapéu, botina, pequi e frango caipira nele não constroem identidade, constroem caricatura. Se tentar imitar Caiado, corre sério risco de parecer forçado, quase ridículo. Wilder, ao contrário, tem a rara oportunidade de ocupar esse espaço simbólico sem perder autenticidade.

2) Fazer, no primeiro turno, o discurso do segundo

O segundo movimento é de natureza estratégica. Goiás é, estruturalmente, um estado de direita. Isso faz com que Wilder, por simples gravidade eleitoral, já atraia naturalmente grande parte desse eleitorado e seja visto, desde cedo, como um nome praticamente certo no segundo turno. Afinal de contas, ele está no PL de Jair Bolsonaro. Diante disso, não há necessidade para radicalizar no primeiro turno.

Ao contrário, Wilder precisa construir desde já um discurso de convergência, mirando diretamente o segundo turno. Em vez de travar batalhas ideológicas desnecessárias, deve atuar como polo de aglutinação, costurando pontes políticas e simbólicas com setores que não pertencem, tradicionalmente, ao seu campo.

Nesse ponto, a presença de Ana Paula Craveiro (PL), filha de Iris Rezende (MDB), ganha papel central. Ela representa uma conexão direta com o MDB histórico, com a classe média urbana, com a centro-esquerda e até com setores moderados da esquerda. Sua presença não precisa, neste momento, significar alianças formais, mas deve ser usada para pavimentar apoios futuros, deixando acordos políticos e simbólicos amarrados para o segundo turno.

Wilder não precisa brigar com ninguém. Precisa somar. Não deve se fechar num discurso identitário de direita, mas se apresentar como alternativa ampla, capaz de governar para além do seu próprio campo ideológico.

3) Saber herdar votos: a arte de ganhar sem ser amado

Nenhuma eleição majoritária em Goiás se vence apenas com votos próprios. Ela se ganha, sobretudo, pela capacidade de herdar votos dos adversários derrotados no primeiro turno. E esse será, talvez, o teste mais sofisticado da habilidade política de Wilder. Lembrando que foi exatamente neste ponto, onde Fred Rodrigues (PL) perdeu a prefeitura de Goiânia em 24.

Se o segundo turno for entre Wilder e Daniel, grande parte dos votos de Marconi Perillo (PSDB) tende a migrar naturalmente para Wilder. Isso ocorre não por afinidade pessoal, mas por lógica histórica: durante décadas, foi o PSDB de Marconi quem simbolizou o combate ao PT, antes mesmo da ascensão do bolsonarismo. Marconi representou, por muito tempo, a direita, e esse capital simbólico deverá ser “ressuscitado” por ele em campanha.

Se o segundo turno for entre Wilder e Marconi, o desafio será outro: herdar parte dos votos de Daniel. Nesse cenário, mais uma vez, a presença de Ana Paula Craveiro se revela estratégica, pois permite diálogo com eleitores do MDB raiz, da centro-esquerda e de setores urbanos que dificilmente migrariam espontaneamente para um candidato identificado apenas com a direita.

Sem essa ponte, Wilder corre o risco de se tornar um candidato restrito ao eleitorado conservador. Com ela, amplia seu alcance e se transforma em candidato majoritário.

Se executar esses três movimentos com disciplina, leitura fina do ambiente político e frieza eleitoral, não apenas chegará ao segundo turno, como entrará nele em posição real de favoritismo ao Palácio das Esmeraldas.

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