Se política é presença, Márcio Corrêa (PL) resolveu fazer exatamente o oposto. No evento do Partido Liberal, em Goiânia, que oficializou a pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás, teve de tudo, cúpula nacional, estrelas do bolsonarismo, filiação simbólica, vereadores do interior e até participação internacional por videoconferência. Só não teve o prefeito de Anápolis.
O encontro reuniu o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto (PL), além de uma chamada de vídeo do deputado Eduardo Bolsonaro (PL), em um claro esforço de dar verniz nacional e tom bolsonarista ao evento. Para completar o pacote, houve a filiação de Ana Paula Rezende Craveiro(agora PL), filha do ex-governador Iris Rezende (MDB), um movimento político de peso simbólico considerável.
Mas, curiosamente, o prefeito da terceira maior cidade do estado preferiu não aparecer. Nem mesmo o fato de vereadores de Anápolis estarem presentes, como Policial Suender (PL) e Jean Carlos (PL), foi suficiente para convencer Márcio Corrêa a dar as caras. Ficou claro, o PL estava lá, o bolsonarismo estava lá, a militância estava lá. Só o prefeito não.
A ausência não é detalhe. É recado. E daqueles bem sonoros.
Eleito surfando na onda do PL, vestindo a camisa do bolsonarismo e explorando eleitoralmente o discurso conservador, Márcio Corrêa jamais conseguiu convencer plenamente de que sua conversão ideológica foi algo além de estratégica. Nos bastidores, o que se comenta é que seu coração político continua batendo no ritmo do MDB, mais precisamente no compasso de Daniel Vilela (MDB), amigo íntimo e principal fiador político de sua trajetória.
Na prática, o prefeito tentou fazer política em modo bicicleta ergométrica, pedala no PL, mas não sai do lugar no MDB. O problema é que o calendário eleitoral já está em curso, e esse malabarismo começa a cobrar pedágio.
Faltar ao principal ato do partido, com a presença da direção nacional e do núcleo duro do bolsonarismo, não passa despercebido. Para a cúpula do PL, o gesto soa como descaso. Para a militância, como traição disfarçada. Para os aliados, como um aviso prévio de que o divórcio pode ser litigioso.
O cálculo político é direto: em um ano eleitoral, cada gesto, cada ausência e cada silêncio têm peso dobrado. Márcio preferiu não estar. Talvez apostando que a omissão passaria despercebida. Não passou. Em política, o vácuo fala, e costuma gritar.
O prefeito agora terá de responder a uma pergunta que ele próprio criou: afinal, ele é PL por convicção ou MDB por vocação? Porque usar o partido como escada eleitoral pode até funcionar uma vez. Sustentar essa contradição no exercício do mandato, sob pressão eleitoral estadual, é outra história. E bem mais complexa.
Em política, ninguém gosta de ser usado. E o PL, pelo visto, começa a cansar do papel de figurante numa história que não escreveu.



