Caiado, União Brasil e PSD: “Estou casando, mas o grande amor da minha vida é você”.
Por Felipe Neiva,
Na noite de ontem, (27), o Governador Ronaldo Caiado, acompanhado dos governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite, ambos do PSD e respectivamente dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, anunciou sua saída definitiva do União Brasil e sua filiação ao PSD, Partido Social Democrático, comandado por Gilberto Kassab.
Esse movimento põe fim à fidelidade partidária que Caiado teve com o União Brasil desde 16.03.1992, conforme consta em sua certidão de filiação partidária. Um casamento de quase 34 anos que acabou em razão de “uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional”.
Na política, todo movimento gera o famoso “efeito borboleta”, onde uma alteração dentro de um sistema complexo, por menor que possa parecer, irá gerar consequências enormes e imprevistas no longo prazo. A filiação de Caiado ao PSD, e possivelmente a assunção ao comando do partido em Goiás, trará, certamente, consequências para as eleições em Goiás.
O PSD atualmente é comandado pelo Senador Vanderlan Cardoso (PSD), o qual, em total contraste com a realidade nacional do partido, reduziu a sigla a cinzas, em razão do péssimo desempenho eleitoral de seus candidatos nas eleições municipais de 2024, que, diga-se de passagem, tem sido o maior trunfo do PSD.
Trunfo porque, segundo site do Senado Federal, “o partido conquistou a prefeitura de 887 municípios, sendo cinco capitais, o que representa aumento de 35% se comparado ao resultado da eleição anterior”. Além disso, possuem hoje 6 (seis) governadores, 47 (quarenta e sete) deputados federais, 15 (quinze) senadores, sendo a maior bancada do Senado, e 78 (setenta e oito) deputados estaduais. Além disso, conta com uma base de mais de 468 mil filiados, sendo o 11º maior partido nesse ponto, conforme notícia do site Poder 360.
Ao sair do União Brasil para migrar ao PSD, Caiado tomou uma decisão estratégica e muito bem avaliada por alguns especialistas na área, entretanto, nas postagens em suas redes sociais e em jornais goianos, também há grande rejeição pela escolha.
Muitos comentários ressaltam que o PSD é um partido de esquerda, em razão de enfrentamentos contra pautas de direita no Congresso Nacional, estigma que até hoje persegue candidatos do partido, bem como a alta rejeição de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que muitos comentam que tem sido o pior governador da história daquele estado.
Além disso, conforme a última pesquisa Atlas Intel, divulgada no dia 21, mostra que, somando todos os pré-candidatos à Presidência do PSD, Ratinho e agora Caiado, o percentual de votos fica entre 4,6% em um cenário ampliado, 7,1% sem Tarcísio de Freitas (Republicanos), porém, sem um Bolsonaro e Tarcísio, a chapa do PSD teria 24,6% das intenções de voto.
Portanto, é necessário avaliar com cautela a filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, bem como a atração de candidatos ao Poder Legislativo, tanto para o aspecto nacional quanto para o regional, já que o PSD passaria, de forma automática e definitiva, a integrar a base de Daniel Vilela (MDB) na corrida ao Palácio das Esmeraldas.
Por fim, ao anunciar sua saída, Caiado postou em suas redes sociais uma carta aberta ao União Brasil, ressaltando, como aquele clássico de Gian e Giovani, “estou casando, mas o grande amor da minha vida é você”, mencionando que ajudou a fundar o partido, fortalecê-lo, porém, “com a experiência parlamentar e de gestão que reuni, com os resultados que apresentamos em Goiás, que tem hoje o governo mais bem avaliado do Brasil, reúno as condições de apresentar um projeto de verdadeira mudança ao país”.
Em resposta, Rueda, Presidente Nacional do União Brasil, desejou ao governador sucesso nessa nova etapa, com votos de boa sorte nos desafios que se apresentam, e finaliza: “o União Brasil segue dedicado ao projeto de unir o país, com compromisso com a governabilidade, responsabilidade institucional e atenção permanente às demandas da sociedade brasileira”.
Em resumo, o União Brasil não ressalta que Caiado foi importante para o partido, nem mesmo deixa as portas abertas, ao contrário, usa o mesmo tom de cinismo com que Kassab (PSD) deixou para Flávio Bolsonaro (PL), boa sorte.
Somente o tempo e a saída do governador do seu mandato, previsto para o início de abril, definirá o futuro dessa importante manifestação política.



